terça-feira, 24 de novembro de 2009

88% dos jovens brasileiros já viram pessoas assassinadas, diz pesquisa


Pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, em parceria com o Ministério da Justiça e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aponta que 88% dos jovens brasileiros já viram corpos de pessoas assassinadas. O levantamento, divulgado na manhã desta terça-feira (24) em São Paulo, foi realizado com 5.182 jovens de 12 a 29 anos, de ambos os sexos, em 31 municípios de 13 Estados brasil. Quase um terço dos entrevistados respondeu que a violência é presença constante em seu cotidiano e 31% disseram ter facilidade para obter armas de fogo. Metade dos jovens afirmou presenciar violência policial, fato que para 11% dos entrevistados é algo comum. Além disso, 64% costumam ver pessoas não-policiais com arma de fogo.

"O resultado é comovente. Demonstra que o caminho de construção das políticas para Segurança Pública deve ser por outro paradigma", disse o ministro da Justiça, Tarso Genro, em coletiva de imprensa sobre a pesquisa.

Em termos gerais, o estudo também mostrou que a territorialidade incide na vulnerabilidade dos jovens, ou seja, há focos concentrados onde a juventude está mais exposta a riscos. Outros quesitos que aumentam o risco para vida dos jovens é a falta de acesso à educação, ausência de empregos e o baixo investimento da esfera municipal na Segurança Pública.

Segundo Tarso, as autoridades brasileiras devem focar menos a repressão policial, que, diz o ministro, já lotaram as cadeias sem trazer resultados efetivo. Tarso, no entanto, minimizou a situação da exposição dos jovens à violência no país. "Não é um caos absoluto".

Dentre os municípios pesquisados, os que foram considerados mais perigosos para os jovens são, nessa ordem, Itabuna (BA), Marabá (PA), Foz do Iguaçu (PR), Camaçari (BA), Governador Valadares (MG), Cabo de Santo Agostinho (PE) e Jaboatão dos Guararapes (PE).

Já as cidades menos perigosas são São Carlos (SP), São Caetano do Sul (SP), Franca (SP), Juiz de Fora (MG), Poços de Caldas (MG) e Bento Gonçalves (RS).

O ranking das cidades foi elaborado a partir do cruzamento de dados oficiais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados de São Paulo) com metodologias criadas pelo Laboratório de Análises da Violência da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro).

O levantamento conclui que a faixa etária com maior risco de perder vidas por causa da violência letal é aquela entre 19 e 24 anos. Nota-se ainda que os municípios que menos investem em segurança pública são exatamente aqueles que mais expõem seus jovens à violência.

Na prática, constata-se que nas cidades em que a vulnerabilidade juvenil é muito alta, a despesa gasta em segurança pública em 2006 foi R$ 3.700 por habitante, enquanto nos municípios com índices baixos esse valor ficou em R$ 14,4 mil por habitante.

"Pelo dados, a questão exposição é mais aguda no Nordeste e no Norte, mas o problema está no Brasil inteiro. Nossa abordagem é que a vulnerabilidade não é só violência e crime, mas também fatores como acesso à escola, pobreza e acidentes de trânsito. O cenário é complexo, e as autoridades precisam entendê-lo para traçar as políticas públicas", afirmou Renato Sérgio de Lima, secretário-geral do Fórum Brasileiro de Segurança. leiros.

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